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14/06/2018 :: Anti-inflamatórios não-esteroides aumentam risco cardiovascular na osteoartrite

Por Ingred Hein
Notícias e Perspectivas
Medscape

Amsterdã, Holanda — Entre pacientes com osteoartrite, os anti-inflamatórios não-esteroides (AINEs) aumentam o risco de doença cardiovascular para mais do que o dobro dos índices vistos na população geral, mostra uma nova pesquisa.

"Não há cura para as pessoas com osteoartrite, e você precisa tratar a dor. Mas quando você trata com anti-inflamatórios não-esteroides, aumenta o risco cardiovascular", disse Aslam Anis, PhD, da University of British Columbia, em Vancouver (Canadá).

Os anti-inflamatórios não-esteroides costumam ser usados para tratar a rigidez articular que os pacientes com osteoartrite apresentam, especialmente pela manhã. O afilamento da cartilagem articular faz com que os ossos se rocem uns nos outros, levando aos sintomas comuns de edema e dor articular.

Nós não temos soluções.

"É uma daquelas situações nas quais o tratamento pode ser tão ruim quanto o problema", disse Anis ao Medscape. "Nós não temos soluções".

A osteoartrite já demonstrou ser um fator de risco independente de doença cardiovascular (Sci Rep. 2016;6:39672), mas Anis e colaboradores queriam "desenrolar" o papel dos anti-inflamatórios não-esteroides nessa associação.

A equipe identificou 7.743 pessoas com osteoartrite e uma coorte de 23.229 pessoas sem osteoartrite, pareados por idade e sexo a partir de 720.055 registros administrativos de saúde na Colúmbia Britânica.

"A assistência médica é gratuita no Canadá, então tudo é centralizado", explicou Anis no congresso da European League Against Rheumatism 2018.

Com modelos multivariáveis de risco proporcional de Cox, o risco do desfecho primário de doença cardiovascular foi estimado como 23% maior entre as pessoas com osteoartrite do que naquelas sem a doença, após o ajuste por idade, sexo, nível socioeconômico, índice de massa corporal, hipertensão arterial, diabetes, hiperlipidemia, doença pulmonar obstrutiva crônica e pontuação de comorbidade de Romano.

Em termos de desfechos secundários, o risco de insuficiência cardíaca congestiva foi 42% maior para as pessoas com osteoartrite, o risco de cardiopatia isquêmica foi 17% maior, e o risco de acidente vascular cerebral foi 14% maior.

Quando os registros de dispensação da prescrição para o uso atual de anti-inflamatórios não-esteroides foram comparados ao banco de dados de assistência médica, cerca de 67,5% do efeito total da osteoartrite no risco de doença cardiovascular foi relacionado com o uso de anti-inflamatórios não-esteroides.

Especificamente, o risco de insuficiência cardíaca congestiva aumentou em 44,8% com o uso de anti-inflamatórios não esteroides, o risco de cardiopatia isquêmica aumentou em 94,5%, e o risco de acidente vascular cerebral aumentou em 93,3%.

Provavelmente esses resultados são conservadores, porque os registros capturaram apenas os anti-inflamatórios não-esteroides prescritos; o efeito dos anti-inflamatórios não-esteroides obtidos sem prescrição médica, como o ibuprofeno e o naproxeno, não foi contabilizado.

"Teríamos de contar com os farmacêuticos para capturar essa informação, e isso provavelmente amplificaria os resultados", explicou o pesquisador.

No entanto, o papel significativo que os anti-inflamatórios não-esteroides desempenham no risco de doenças cardiovasculares "é um grande problema", disse Anis.

"E eu não tenho nenhuma resposta sobre como resolver."

Você quer viver com dor ou viver mais tempo?

"Você não tem muita chance sem anti-inflamatórios não-esteroides se quiser tirar a dor", disse o Dr. Georg Gauler, médico de Osnabrück, na Alemanha.

Os medicamentos são indispensáveis em sua prática clínica, disse ele ao Medscape. Embora o médico alerte os pacientes para terem cuidado porque os anti-inflamatórios não-esteroides podem ter efeitos adversos nos rins e no coração, os pacientes tomam de qualquer maneira "porque ajuda", disse o médico.

Você precisa discutir os riscos com o paciente, explicou Dr. Gauler. "Você quer viver com dor ou viver mais tempo?"

A substituição da articulação pode ser uma opção para alguns pacientes, mas "caso contrário, fique com os remédios", disse ele.

Aslam Anis e o Dr. Georg Gauler revelaram não possuir relações financeiras relevantes.

European League Against Rheumatism (EULAR) Congress 2018: Resumo OP0190. Apresentado em 14 de junho de 2018.

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