(31) 3421-3450
endolatina@endolatina.com.br

17/05/2017 :: Doenšas cardiovasculares levaram 350 mil pessoas a ˇbito no ano passado

Veículo: Correio Brasiliense
Mídia: Sites e Portais
Editoria: Notícias
Página: On-line localidade: Brasilia - DF
Publicação: 17/05/2017

No mesmo período, 647 brasilienses morreram de infarto. É preciso ficar atento aos fatores de risco e manter hábitos saudáveis


Érica Oliveira Sales tinha 12 anos quando presenciou o pai, Pedro, infartando. Aos 22, foi a vez de ela ser socorrida às pressas com dor no peito, falta de ar e formigamento no ombro. No hospital, o diagnóstico foi de um pré-infarto. Pai e filha estão bem. Para muitas vítimas, no entanto, o final nem sempre é feliz. No ano passado, 647 pessoas morreram de infarto no Distrito Federal. Cerca de 60% eram homens e a maior parte deles tinha mais de 60 anos. Esses números, no entanto, são ainda maiores porque não incluem os atendimentos e mortes ocorridas em hospitais particulares. No Brasil, 350 mil pessoas perderam a vida, em 2016, por ataque cardíaco e Acidente Vascular Cerebral (AVC).

Para se ter uma ideia da frequência dos ataques cardíacos, de 1º de janeiro até ontem, o Corpo de Bombeiros atendeu a 178 pessoas com parada cardiorespiratória. Só em março foram 46 atendimentos — um aumento de 48,3% em relação a fevereiro, quando a corporação foi acionada 31 vezes (leia quadro). Dos 46 pedidos de socorro registrados em março, 22 vítimas sentiram-se mal quando estavam em casa, e 24, na rua. Caso de uma mulher de 59 anos, que, ao sair do trabalho, no Setor Comercial Sul, teve uma parada cardiorrespiratória no estacionamento do Hotel Nacional. Os socorristas iniciaram os procedimentos de reanimação e, após uma hora, conseguiram restabelecer os sinais vitais e a levaram para o Hospital de Base.

Em 6 de março, Luiz Antonio Borges Figueiredo, 56, passou mal em casa, em Ceilândia. Os bombeiros tentaram reanimá-lo por uma hora com massagem cardíaca e doses de adrenalina, mas não foi possível salvá-lo. O repórter fotográfico Victor Antônio Soares Filho, 56, morreu em 19 de março. Ele teve um ataque fulminante do coração quando se exercitava no Eixão Norte.

No caso de Érica, o “quase infarto” se deu por conta de um problema cardíaco chamado prolapso valvar mitral. Isso quer dizer que ela tem uma válvula do coração aberta. “Não posso fazer muito esforço físico, preciso tomar muita água e tenho que cuidar da alimentação. Nada de alimentos gordurosos”, diz. Mas muita gente morre do coração sem ter qualquer diagnóstico relacionado.


Socorro imediato


Instrutor de atendimento pré-hospitalar do Corpo de Bombeiros, o sargento André Rodrigues ressalta que, a cada minuto sem massagem cardíaca, a chance de sobrevida cai 10%. “Se colocar o paciente no carro e levar para o hospital sem fazer nada, é provável que ele chegue morto”, alerta.


Quem se depara com alguém em parada cardiorrespiratória deve, primeiro, verificar o nível de consciência, chamar por ela e tocar nos ombros. No caso de ausência de resposta, olhar o tórax e ver se a pessoa está respirando. Se não tiver respiração, é preciso ligar para o 193 (Bombeiros) ou o 192 (Samu) e começar, imediatamente, as massagens cardíacas. Não é necessário, porém, verificar pulso nem fazer respiração boca a boca.

Os dados mais recentes sobre infartos no DF estão no Relatório Epidemiológico sobre Mortalidade Geral, produzido em 2015. O documento revela que os casos de morte por infarto agudo do miocárdio é mais raro entre 20 e 39 anos. No ano do levantamento, nenhuma mulher nessa faixa etária morreu do coração, enquanto 15 homens perderam a vida. A taxa de mortes por infarto entre pessoas do sexo masculino de 40 a 59 anos foi de 37,2 para cada grupo de 100 mil homens residentes no DF, e a de mulheres, 8.

A mãe da dona de casa Girleide Santos de Castro, 47 anos, Ednalva dos Santos, 69, teve pelo menos três paradas cardíacas durante a internação no Hospital de Base. Ela fez cirurgia para retirada de um tumor benigno na tireoide e, uma semana antes de receber alta, sofreu uma ataque cardíaco na frente de Girleide. Os momentos foram os piores que ela já viveu. “Ela reclamou que estava com uma agonia na barriga, mas não soube explicar. Logo depois, começou a suar muito. A enfermeira checou o oxigênio e os batimentos e estava tudo normal. Mas a pressão dela começou a baixar. Quando os médicos a estavam levando para a sala vermelha, ela infartou. Fizeram reanimação e ela voltou”, conta com lágrimas nos olhos. Ontem, fez um mês que dona Ednalva morreu.

Coordenadora de cardiologia da Secretaria de Saúde, Edna Marques conta que, até setembro do ano passado, 256 mil pessoas morreram de ataque cardíaco no Brasil. “As doenças cardiovasculares são a primeira causa de morte no Brasil. Não temos como comparar a taxa de mortalidade do DF porque nem todos os hospitais informam os dados ao Ministério da Saúde. No caso de ataque súbito, a pessoa nem chega a ir ao hospital”, diz. Há três anos, as doenças cardiovasculares e o AVC foram a primeira causa de morte no DF.

Antes de sofrer um infarto, Jorge Ferreira Assunção, 66, vivia em ritmo acelerado, com péssimos hábitos alimentares. “Tomava uma cervejinha, comia carne gorda e torresminho”, relata. Em 12 de dezembro, acordou com uma dor incômoda no braço direito. “Fiz cateterismo e descobriram que 70% das veias estavam obstruídas. O estado era grave”, conta. Passados três meses, Jorge vive um período de entusiasmo. “Estou fazendo fisioterapia e exercícios físicos. Cuido melhor da minha alimentação e percebo os resultados.” Nutricionista especializado em envelhecimento bem-sucedido, Clayton Camargos diz que, com os alimentos certos e atividade física, é possível afastar os riscos de um ataque cardíaco.
 
Link original da matéria: http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2017/05/18/interna_cidadesdf,595762/doencas-cardiovasculares-levaram-350-mil-pessoas-a-obito-no-ano-passad.shtml
 
 
Rua Jaceguai, 208 - Sala 1301, Bairro Prado ,Belo Horizonte - MG, 30.411-040.
(31) 3421-3450
ę Copyright 2011 - ENDOLATINA. Todos os direitos reservados. ViaNet Brasil